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Arcade Fire: um show maior, ainda que num espaço menor

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

São Paulo recebeu novamente o Arcade Fire, dessa vez com a turnê do disco “Everything Now”. Após serem headliners da edição 2014, o grupo acabou sofrendo com a baixa venda de ingressos nessa passagem, o que fez com que o show fosse reconfigurado dentro do Anhembi.

Originalmente programado para acontecer no espaço de shows da Arena Anhembi, a estrutura foi transferida para a arquibanda de forma que quem iria na pista comum acabou ficando na arquibancada e quem iria na vip, na pista à frente do palco. No fim isso acabou sendo positivo: o pessoal da pista acabou ficando em um plano mais elevado e próximo tendo uma boa visão do palco enquanto o público da vip acabou tendo uma proximidade maior pela localização e pela interação deles já que diversas vezes deixaram o palco para descer e se aproximar dos fãs.

Com a narração de um locutor (em português) que apresentou o grupo como quem inicia uma luta de boxe, com direito a um palco decorado com cordas em formato de ringue, o Arcade Fire pontualmente começou seu show as 21h30 como programado e pelas duas horas seguintes a banda canadense mesclou um setlist bem calcado em seu recente disco “Everything Now” mas com bastante espaço para material dos anteriores.

E bastou as cordas do ringue baixarem para que a entrega do grupo aos fãs (e a dos fãs para o grupo) fosse completa, como se aquele item representasse a última barreira separando ambos. Não foram poucas as vezes que Win ou Régine desceram do palco, com Win inclusive chegando a sair pela lateral da pista acompanhado de fãs e seguranças e se aproximar da arquibancada. O grupo também pediu a interação da plateia pedindo que os celulares fossem acesos em determinados momentos como em “Neon Bible” criando um belo registro.

No palco, é indiscutível o talento de todos. Multi-instrumentistas a tal ponto que perdia-se a conta de quantas vezes os músicos variavam o que estavam tocando. Desde os básicos violões e guitarras até percurssões compostas por garrafas de viro tocadas por Régine. A naturalidade com a qual transitam entre as canções não faz com que o show se torne em momento algum maçante, inclusive o contrário, com uma dinâmica empolgante de forma que somente se ficava parado em canções mais contemplativas como “We Don´t Deserve Love”.

Win Butler é um frontman excelente que guia banda e público através dos momentos empolgantes ou lentos com uma facilidade ímpar não soando nem clichê quando diz que São Paulo é sua cidade preferida para se apresentar no mundo e ganhando mais o público ao anunciar a doação de 1 dólar de cada ingresso do show para uma ONG da metrópole.

Houve ainda a participação da bateria da Acadêmicos do Tatuapé que surgiu ao palco no início do show por duas canções, retornando no final catártico de Wake Up, descendo também para a plateia junto dos músicos em um momento quase que de “bloco de carnaval”. Em um show que poderia soar fraco ou mediano pela mudança e público aquém do esperado, o Arcade Fire virou o jogo e fez uma apresentação impecável onde todos saíram ganhando.

Setlist Arcade Fire:

Everything Now
Rebellion (Lies)
Here Comes the Night Time (participação – bateria da Acadêmicos Do Tatuapé)
Haïti (participação – bateria da Acadêmicos Do Tatuapé)
Chemistry
Peter Pan
No Cars Go
Electric Blue
Put Your Money on Me
Neon Bible
Neighborhood #1 (Tunnels)
The Suburbs
The Suburbs (Continued)
Ready to Start
Sprawl II (Mountains Beyond Mountains)
It’s Never Over (Oh Orpheus)
Reflektor
Afterlife
We Exist
Creature Comfort
Neighborhood #3 (Power Out)

Bis:
We Don’t Deserve Love
Everything Now (Continued)
Wake Up (participação – bateria da Acadêmicos Do Tatuapé)

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