Foto: João Guilherme Moreira

Entre sintetizadores densos, batidas dançantes e confissões sem filtro, Lourandes vem chamando atenção nas redes ao traduzir dilemas afetivos em canções de dark pop. Cantora, compositora e produtora musical, a mineira de Belo Horizonte se firma como um dos nomes emergentes do subgênero no Brasil, ainda pouco explorado no cenário nacional. Somando mais de 38,5 milhões de plays/views, construiu sua trajetória de forma independente, apoiada em uma estética autoral marcante e em uma base fiel de ouvintes – 167,6 mil mensais, apenas no Spotify.

Desde 2020, a artista percebe uma evolução significativa na própria produção, com maior cuidado nos beats, timbres e atmosferas. Se antes o som flertava com o dark trap e a eletrônica, os lançamentos mais recentes apontam para um pop mais vibrante — ainda sombrio, mas com vocação para a vida noturna e as pistas. “Hoje penso muito na qualidade do som e na possibilidade das minhas músicas tocarem em festa. Apesar de ainda ser dark pop, os novos lançamentos flertam mais com o mainstream”, afirma.

A relação direta com o público, construída principalmente no TikTok, é parte central desse percurso. Ao compartilhar processos criativos e reflexões sobre a indústria, Lourandes também enfrenta dilemas entre expectativas externas e desejos artísticos. “Eu luto entre o que eu quero fazer em 2026 e o que as pessoas gostaram que eu fiz no passado”, confessa. Ainda assim, o retorno dos fãs sustenta o caminho: “Quando faço live de lançamento, várias pessoas ficam até meia-noite acompanhando, fazem edits, gravam letras. Me sinto abraçada virtualmente”, celebra.

NOVO PROJETO

As referências que atravessam o trabalho atual revelam um diálogo direto com o pop global contemporâneo. Lady Gaga, Billie Eilish, Charli XCX e The Weeknd aparecem como influências centrais, tanto na sonoridade quanto na construção estética. “O show da Lady Gaga em Copacabana mudou minha perspectiva como artista”, revela. Ao mesmo tempo, Lourandes revisita sons da adolescência, como Twenty One Pilots e Halsey, ampliando o repertório emocional que sustenta suas composições.

Esse conjunto de vivências desemboca no projeto em andamento, “Pra não dizer que não falei de amor”, uma narrativa musical sobre paixão, excesso e desilusão. Até o momento, a artista já lançou as faixas “Tédio”“Algo que nem era seu” e “Odeio sua ex”, que apresentam essa personagem em meio ao tédio, ao glamour vazio e às contradições afetivas. A primeira parte do trabalho será finalizada com os lançamentos de “Lágrimas de Champagne” e “Show Particular”, em 2026, aprofundando a jornada que vai da euforia de uma novo relacionamento à lucidez. “É um projeto controverso sobre amor”, diz. A obra acompanha a queda de uma personagem que atravessa relações rasas, repete padrões e busca autoestima em meio ao glamour vazio. Para quem está chegando agora, a artista resume: “Sou menos raivosa, talvez mais sonhadora, mas ainda obscura, impulsiva e dramática. Quero ser lida como alguém que entrega profundidade, estética e conceito”, finaliza.