
Foto: Yuri Murakami
A cantora e compositora francesa Pomme realizou uma apresentação única em São Paulo, no dia 26 de maio de 2026, no Teatro Renault. Após destacar-se por sua sonoridade com álbuns aclamados pela crítica, como Les Failles Cacheés, de 2019; e À Peu Près, de 2017; ela vem ao Brasil em turnê pela primeira vez, desde sua estreia musical.
O espetáculo contou com a abertura de Ena Mori, cantora e compositora de origem filipino-japonesa, que assim como Pomme, mistura gêneros e técnicas musicais, trazendo uma apresentação complexa e composta por camadas.

Foto: Yuri Murakami
Pelo show ter ocorrido em um teatro, invés de uma casa especializada em shows, como o público está acostumado, em nenhum momento este fator limitou a performance das artistas, muito pelo contrário, acabou trazendo um diferencial, conectando e ornando perfeitamente com a estética, dramaticidade e o teatral, presente nas letras de ambas.
Eninha, como é conhecida pelos fãs, sobe ao palco esbanjando simpatia. “Portion Control”, “Sink” e “Trust Me” abriram o repertório da cantora, que dança suas melodias, movimentando seu corpo como uma onda do mar, de forma leve. Combinando com a arte transmitida ao fundo, que trazem nuances de furta cor.

Foto: Yuri Murakami
A cantora comenta sobre ter sido uma longa jornada, em questão de tempo, para vir ao Brasil, mas que cada minuto valeu a pena durante a sua estadia. Ela também elogia a energia alto astral do público e completa seu repertório com “A HIGHER PLACE” e “Cub”, com diversidade e complexidade em sua composição, utilizando uso de pandeiro, teclado e sintetizadores.
A sua apresentação torna-se relaxante e transcendental, Ena Mori demonstra versatilidade e sensibilidade em suas composições, assim como suas roupas coloridas, com várias camadas e texturas. Com a voz extremamente afinada e uma vibe anos 80, a cantora tem um controle admirável em sua voz em “La Loba” e “WHITE ROOM”.

Foto: Yuri Murakami
Com o palco iluminado por uma tocha e equipado com instrumentos musicais, junto a um banco, Pomme adentra o cenário de forma enigmática. A cantora é acompanhada por seu violão, enquanto traz “b.”, “je sais pas danser” e “des excuses” em seu setlist, com uma mistura de chanson francesa, folk, pop indie e música clássica.
Mencionado anteriormente, pelo espetáculo ter ocorrido em um teatro, a cantora realmente combina com o ambiente, formando uma egrégora intimista e de conforto. Ela permanece estática, cantando uma canção atrás da outra, sempre pouco iluminada, com luzes suaves, ora em uma paleta fria, ora em cores quentes como o entardecer.

Foto: Yuri Murakami
Primeiramente, Pomme comunica-se com os fãs em inglês, arriscando algumas frases em português, como ela mesma compartilhou ter feito anotações exclusivas para o show daquele dia. No entanto, o público a encoraja a falar em seu idioma natal. De comportamento delicado e tenro, ela conta que ouve pedidos para vir ao Brasil por dez anos, e que providenciou uma vestimenta pensando nos fãs. Ela retira o seu casaco e revela a camiseta preta com “Come to Brazil” em letras brancas.
“Anxiété”, “Nelly” e “Ma Meilleure Ennemie”, esta última feita em parceria com o cantor e compositor belga Stromae. O show é simples, mas com muito charme francês e unicidade, tornando-se um verdadeiro espetáculo. A cantora surge com uma câmera montada em um tripé em cima do palco, e passa a reproduzir um novo ponto de vista aos fãs. Essas imagens são projetadas ao fundo, sempre em preto e branco e com marcas de filmagem antiga.

Foto: Yuri Murakami
Por conta do Teatro Renault estar apresentando o musical do Shrek, peças do cenário estão localizadas na lateral do palco, sendo quase imperceptíveis aos fãs. Mas este detalhe passa a ficar divertido, após a cantora demonstrar amor à franquia de filmes e complementa sobre a vontade de poder ver à apresentação no local.
Apesar dos fãs cantarem todas as músicas em uníssono, era notável que “Une Minute” e “On brûlera” foram cantadas com mais emoção, ainda mais pela última canção dentro do repertório ser uma das responsáveis por viralizar a cantora no meio fonográfico mundial. Pomme anuncia “petite île”, sua nova composição e alerta que talvez erre as notas em seus instrumentos ao performar, oferecendo um momento de descontração.

Foto: Yuri Murakami
Sempre muito divertida e fazendo piadas, Pomme conta que seu show está chegando ao fim, mas que terá um bis e pede para que todos finjam não saber o que ela acabou de revelar. Todos riram novamente, ela retira-se do palco e depois de pedirem seu retorno, ela volta saltitante, simulando surpresa, como se não tivesse contado nada aos fãs anteriormente.
Pomme encerra seu espetáculo emocionante, revelando-se uma artista talentosa, simpática e multi instrumentista. “Un château dans le bois” e “grandiose” foram performadas e, por fim, ela revela novamente que a última canção do bis, chamada “soleil soleil”, será outra novidade em primeira mão ao público brasileiro, que desperta euforia no ambiente.


