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Em tempos marcados por excesso de ruído, ansiedade e relações cada vez mais aceleradas, o cantor e compositor Zecca Gomes escolhe seguir na direção oposta. No EP “Mais Do Que Cores”, que chega às plataformas digitais nesta sexta-feira (22), o artista aposta em sonoridades brasileiras, clima ensolarado e letras acolhedoras para criar uma espécie de refúgio emocional em forma de música. Com seis faixas no total — sendo quatro inéditas e os recentes lançamentos “Por Um Triz” e “Quem Nunca Amou” —, o trabalho chega como um convite à presença, ao encontro e à redescoberta da beleza cotidiana.
Embora carregue espontaneidade e frescor, o projeto foi concebido de maneira bastante intencional. Segundo Zecca, as composições surgiram já pensando no formato e na identidade do EP. “Eu escrevi as canções pensando em todas as músicas reunidas, fiz tudo seguindo uma linha que eu já tinha pré-determinado na cabeça. Eu queria um trabalho exatamente assim”, conta. O artista revela que duas músicas já estavam prontas antes do início do processo, mas as demais foram compostas especialmente para completar a atmosfera que imaginava.
O EP “Mais Do Que Cores” concentra sua força nesta unidade estética construída por Zecca, com repertório que mistura MPB, ijexá, baião, influências do Olodum e elementos pop, criando uma sonoridade calorosa e cheia de personalidade. “Escolhi esses estilos por causa da alegria que eles transmitem, da vontade de dançar e ser feliz”, explica. Entre as principais referências musicais do trabalho, o cantor cita a banda Timbalada, o álbum homônimo lançado em 2009 por Maria Gadú e também elementos presentes na musicalidade do grupo Gilsons.
A brasilidade, aliás, é o eixo central do EP — tanto na sonoridade quanto no conceito visual e narrativo do projeto. “Buscamos uma sonoridade bem brasileira, a temática central é a nossa terra”, resume Zecca. O título “Mais Do Que Cores” nasce justamente dessa ideia de profundidade cultural e afetiva que o artista enxerga no país. “O nome mostra que nosso país é lindo, é alegre, mas são mais do que apenas cores também, só quem é daqui sabe do que falamos”, afirma. Segundo ele, até mesmo a capa do trabalho dialoga com essa percepção cotidiana do brasileiro e também serve como homenagem. “A capa mostra essa realidade também: não importam os problemas, o brasileiro dá um jeito de sentar e relaxar. A imagem foi feita com inteligência artificial para colocar meu pai, já falecido, em um bar”, completa.
Em conjunto com o produtor musical Emil Shayeb, da Valetes Records, o artista chegou em uma sonoridade que combina com praia, estrada, encontros e momentos simples que aparecem como imagens centrais do universo criado para este projeto. “Quero que as pessoas escutem o disco e fiquem com vontade de viver, viajar, ir pra praia, fazer um churrasco. Que as letras tragam conforto, sossego e alegria”, afirma Zecca. A proposta do trabalho é justamente provocar uma pausa no automatismo cotidiano e relembrar o ouvinte de experiências genuinamente humanas. “Espero que percebam que o mundo é bom apesar de tudo, e as pessoas são legais. Mas tem que sair, conhecer gente pra perceber isso. Quer odiar o mundo, assista aos noticiários; se quiser amar o mundo, esteja no mundo de verdade”, finaliza.


