Foto: Rebeca Figueiredo

Depois de musicar términos, cicatrizações e recomeços, o cantor e compositor Jona Poeta decide voltar ao início da história, enquanto tudo ainda parecia possível. É desse lugar que nasce “Dois Loucos”, novo single do artista gaúcho, radicado em São Paulo, que chega às plataformas digitais nesta quarta-feira (29), acompanhado de um clipe lançado à meia-noite no YouTube. Com uma sonoridade inspirada no rock dos anos 1970 e um olhar mais honesto sobre as relações, a faixa abre caminho para uma sequência de canções inspiradas em uma mesma história, agora contada do começo ao fim.

Na contramão dos trabalhos anteriores, marcados pelas marcas deixadas pelas despedidas, “Dois Loucos” mergulha na intensidade dos primeiros dias de uma relação. A canção captura o instante em que o desejo transforma a forma de enxergar o mundo e tudo parece ganhar um novo sentido. “É sobre aquele momento em que o amor ocupa todos os espaços. Quando tudo parece inteiro e a gente simplesmente vive aquilo”, resume Poeta.

A mudança também aparece na sonoridade do novo projeto. Sem abandonar a essência da MPB, o artista amplia sua gama de estilos e passeia por referências que vão do R&B ao blues, do jazz ao rock setentista e encontra até um “pagodão”. Entre as inspirações para essa nova fase estão vivências que atravessaram sua composição, incluindo um período de imersão na Amazônia ao lado da comunidade Sete Estrelas e do povo Yawanawa, além do álbum “Caju”, da cantora Liniker. “Ouvir esse álbum me deu coragem para fazer um novo trabalho sonoramente plural”, afirma.

Além do desenvolvimento pessoal, o lançamento também representa uma evolução natural na trajetória artística do cantor. A proposta não é explicar uma relação, mas habitar seus diferentes instantes, sem a necessidade de apontar culpados ou buscar respostas. “Quero contar essa história inteira, inclusive a parte em que tudo era bonito. Nem toda história precisa terminar com alguém certo e alguém errado”, reflete o cantor.

Ambientado em um apartamento, o clipe acompanha esse mesmo clima de presença e memória. Sozinho, o personagem percorre fotografias e objetos espalhados pela casa enquanto revisita fragmentos de uma relação. Sem seguir uma narrativa linear, a direção aposta em silêncios, gestos e imagens contemplativas para construir um audiovisual intimista, em que as lembranças dizem mais do que as explicações.