Foto: Guilherme Massuchini

Entre trilhos, memórias e canções, o grupo Bebé Pacheco e Ubandu encontrou na histórica Estação Ferroviária de Bauru (SP) o cenário ideal para registrar um trabalho que traduz sua essência. Lançado nesta sexta-feira (7), “Bebé Pacheco e Ubandu ao vivo na Estação Ferroviária de Bauru” reúne quatro músicas inéditas inspiradas em experiências cotidianas e apresenta uma sonoridade repleta de brasilidade, que definiu o grupo desde sua formação. O lançamento, ainda, marca o encerramento do ciclo da banda ao mesmo tempo em que preserva, em música e imagem, a identidade artística construída ao longo dos últimos anos.

Criada em 2022, a Bebé Pacheco e Ubandu nasceu dos encontros promovidos pela cena cultural bauruense. Depois de iniciar apresentações solo em feiras da cidade, a cantora e compositora Bebé Pacheco foi apresentada aos músicos Ed Florindo (percussão) e Julio Calleja (guitarra), formação que posteriormente ganhou o reforço de Adriel Dias (bateria) e Adriano Martins (baixo). Inspirado pelo conceito africano de Ubuntu que diz “eu sou porque nós somos” e pelo álbum Um Banda Um (1982), de Gilberto Gil, o grupo desenvolveu uma sonoridade baseada na coletividade e na pluralidade da música brasileira. “Nosso encontro, tanto entre nós, como com o nosso público, aconteceu criando música autoral e levando-a para outros lugares. Essa sonoridade da música brasileira, diversa e plural, construída em conjunto, é o que nos une”, resume a banda.

As quatro faixas inéditas partem de experiências corriqueiras para construir reflexões sobre o cotidiano, a passagem do tempo, os afetos e a forma como nos relacionamos com o mundo. Em “Manga”, Bebé transforma a contemplação de uma mangueira vista da janela de casa em uma reflexão sobre a conexão entre as pessoas e a natureza. Já “Badalada” nasceu da convivência com um antigo relógio de parede durante uma gravação em um sítio no interior paulista, convertendo o som das badaladas em uma metáfora sobre o envelhecimento e o tempo. “São canções que surgiram de experiências muito simples, mas que abriram espaço para pensar sobre a vida, a memória e a maneira como enxergamos o mundo”, explica a cantora.

O repertório se completa com “Sustenta”, que questiona as fronteiras entre amor e desejo ao abordar relações sustentadas mais pela idealização do que pelos sentimentos reais, e “Outra Tela”, inspirada na ausência inesperada de um senhor que costumava observar o movimento da rua da varanda de casa. A música propõe uma reflexão sobre presença, ausência e o modo como, muitas vezes, estamos mais conectados às telas do que ao momento presente.

Registrado na Estação Ferroviária de Bauru, o projeto também dialoga com a cidade que deu origem ao grupo e evidencia a força da produção cultural do interior paulista. Embora o lançamento marque o encerramento da Bebé Pacheco e Ubandu, os músicos seguirão desenvolvendo projetos individuais, levando adiante as experiências construídas coletivamente. “Nossa maior gratidão é a todas as pessoas que caminharam com a gente durante essa trajetória. Cada show, cada escuta e cada incentivo fizeram parte dessa história. Esperamos que esse registro permaneça como uma celebração de tudo o que construímos juntos”, conclui a banda.